Alexandro Alves

Novos métodos baseados em ultrassom para avaliar a doença hepática

Esta é uma revisão do artigo Novel ultrasound-based methods to assess liver disease: the game has just begun (“Novos métodos baseados em ultra-som para avaliar a doença hepática: o jogo recém começou”, em tradução livre), de Annalisa Berzigotti, Giovanna Ferraioli, Simona Bota, Odd Helge Gilja, Christoph F. Dietrich, publicado na Digestive and Liver Disease, 2018.

Introdução

A avaliação da fibrose hepática por ultrassom mudou a prática clínica nos últimos 10 anos. No campo da avaliação não-invasiva das doenças hepáticas, as técnicas estão evoluindo rapidamente com novos aparelhos e métodos. Quanto a elastografia baseada na ultrassonografia, há novas técnicas e indicações.

Esses métodos, em fase de validação, vão além da avaliação da fibrose, e objetivam outras propriedades do tecido para alcançar uma melhor caracterização de todo o espectro de severidade da doença hepática.

O artigo de revisão versa sobre os maiores avanços no campo da ultrassonografia do fígado que podem fazer parte, em breve, do armamentário diagnóstico do hepatologista.

Esteatose

A avaliação da esteatose hepática em geral mostra uma distribuição difusa mas pode ser não uniforme ou focal. Novos métodos tentando quantificar a esteatose tem sido propostos.

A quantificação da estrutura acústica (ASQ) que avalia a amplitude da distribuição acústica produzida pela presença de gordura no fígado mostrando uma correlação significativa com a quantificação em um modelo murino de esteatose hepática.

O parâmetro de atenuação controlado (CAP) no FibroScan (FibroScan, Echo-sens, França) que avalia a esteatose através do grau de atenuada dos ecos de ultra-som. Avalia o grau de esteatose em pacientes com doença hepática sem influência do grau de fibrose ou inflamação do tecido hepático.

Hipertensão portal

A rigidez esplênica é um novo parâmetro a ser avaliado, uma vez que a esplenomegalia e congestão esplênica dependem da hipertensão portal, tem sido sugerido, que a rigidez esplênica possa refletir o grau de hipertensão portal. A rigidez esplênica se correlaciona melhor com a hipertensão portal do que a rigidez hepática e parece melhorar a predição da presença e necessidade de tratamento de varizes esofágicas.

Lesões focais do fígado

O estudo por elastografia poderia dar informes adicionais para o diagnóstico de lesões focais com limitações, podendo ser acrescido à historia clínica para uma melhor diferenciação entre benigno ou maligno.

Conclusão

Novos métodos baseados na ultrassonografia têm emergido e são promissores como avaliação da esteatose e hipertensão portal. Já a avaliação de lesões hepáticas ainda segue como um campo aberto para mais estudos.

Os avanços no campo da ultrassonografia e elastografia hepáticas têm tido uma rápida evolução com grande potencial na avaliação, em tempo real, das doenças hepáticas.